domingo, 24 de maio de 2015

"Silence! I Kill You!"

Silêncios ensurdecedores preconizam a alma à beira da loucura.
Tais silêncios são meus, dos pensamentos que não consigo calar,
e seus, do peso que não suporto conter.
Também são meus os silêncios de preguiça que anseiam cortar as
veias pulsionais da inspiração, me pedindo para adiar as sentenças na
exteriorização de gozos e dissabores, que puxam para trás, recolhem a
maré mesmo sabendo que não a detêm.

Luto contra esses silêncios alheios que penso não poder converter, porém
perco para o instinto que diz para aquietar o meu próprio.
Não obstante, enquanto toda a problemática externa tenta desenrolar-se,
acho-me com o ser envolto na coragem de permanecer calada, afinal,
cada dia é um ato de coragem e cabe a nós sabermos a ferocidade do
leão em particular que estamos a enfrentar. Meu leão é o silêncio.

Quem sabe se o peso de 500 palavras diárias pode surtir efeito em pequenos
infinitos de completo silêncio, de qualquer tipo disforme que seja?
Já seria de grande alívio. Contudo, é muito atrevimento tentar impedir um
direito de silêncio pessoal sendo, ainda mais esse, requisitado por anos.
A resistência durou até o ponto em que não encontrei mais alternativas.

E, nessa batalha de falta e necessidade em oposição à quietude de alguém,
o que existe de mais torturante é esperar. Esperar pacientemente por mudança,
absolvição, calmaria sem mudez e pós tempestade com paz na quietude.
A questão "até quando?" talvez não seja a proposição correta no momento.

Ademais, quisera eu igualmente saber quando cessa meu direito de
instigar o outro para obter respostas, pois, quanto a conservar-me em sossego,
faço boa noção e, equiparadamente como recebo, mantenho-me assim.

E, de igual maneira que muitas relações se dissolvem gradualmente através
do vilão em comum, termino esse texto servindo de mau exemplo.

Meu leão é o silêncio.


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