quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Happiness

Será que a gente se conhece ao ponto de saber a diferença entre o que quer e o que precisa?
Se a resposta for positiva, escolhemos o que precisamos ou o que queremos?
Qual o preço exato da renúncia? A consequência de uma felicidade futura? Uma abnegação, redenção, humilhação, dedicação intensa?

Quantas perguntas para simples respostas que tememos errar. O problema não é somente estar na direção contrária ao que se precisa, mas estar cego por, quem sabe quanto tempo, a venda presa aos olhos, pois é o pontapé inicial da largada [que quer dizer deixar para trás] que tem o poder de mudar o resto da história. Tal início, ou começo, é fundamental ao crescimento, amadurecimento, e indica libertação dos velhos hábitos e/ou da estréia de novos.

O que se precisa é invisível aos olhos. (Amor, prazer, felicidade e satisfação. Incrível como essas palavras listadas parecem estar intimamente ligadas umas às outras e estão, de fato, na ordem clara dos sentimentos, emoções ou sensações.)

Você precisa de uma casa? Vai começar a sonhar com ela, primeiro amá-la no campo das ideias, idealizá-la. Vai sentir prazer nisso, em comprar, ou seja, conquistar, transformar o sonho em realidade. Ficará feliz em saber que estará lá por um bom tempo ou que desfrutará da infraestrutura e do que ela oferece vantajosamente. Por fim, sentirá satisfeito, aliviado, sossegado, em paz, descansado, e suprirá a necessidade que outrora foi gerada.

Tenho em mente que posso levar comigo os conceitos acima, para quase qualquer (ou explicitadamente qualquer) base de pulsão de vida, como etapas a serem concluídas uma a uma.

Acredito que a felicidade é sentida quando o amor e o prazer saem do idealizado campo das ideias e concretiza-se para torná-la real, não literalmente palpável, digo: sentida.
Porque prazer sem amor [sonhos, paixões, amor] é fulgaz, breve. Escorre por entre os dedos.
E amor sem prazer [de vida, de ser, prazer] traz empenho, mas não traz felicidade.
O que se quer apenas por conquista, sem a "fórmula" do invisível, esvai-se.
Perde-se o brilho, o fulgor antes exacerbado.

Pois, quando conquista, o objetivo é alcançado pelo prazer de adquirir, não necessariamente de consumo, sendo assim, cumprindo só a 1ª ou 1ª e 2ª destas etapas: prazer e satisfação. Por isso a satisfação é ínfima do que fora preservada na expectativa; não passa pela etapa culminante que é o amor (o sonhar), que trará prazer real, genuíno da conquista pela meta tão arquitetada proveniente do sonho, nem passa pela etapa da felicidade, porque só é felicidade se preenche por inteiro, quando o espaço vago, vazio, destinado àquela necessidade, é preenchido na medida certa.


Esses dias compreendi o significado da frase "que seja infinito enquanto dure" de Vinicius de Moraes.
Ele disse em poucas palavras o que pode levar uma vida para entender que seja eterno, aprazível, intensamente vivido, sem reservas.
Como a felicidade não poderia ser assim também?
Se é ela quem dita, que seja eterna enquanto dure; infinita, aprazível, intensamente vivida e sem reservas.

Alguns dizem que ela tem a fórmula: "abrace 5 pessoas por dia, ria mais, ame muito, faça amigos (...)".
Prefiro considerar a felicidade um trajeto - não um fim, estabilizado, imutável até a morte, como alguns propagam como verdade universal -, entretanto, vejo como isto: caminho de etapas e ciclos para a concretização de um sonho idealizado ou não.

Felicidade às vezes não se espera ou prevê; a gente segue a trilha e encontra o tesouro no meio da jornada.

Posso estar errada, no entanto, persisto que a minha "fórmula" que referia talvez seja esta: amar [sonhar]; sentir prazer no que faz, no que é e com quem está; perceber que encontrou o território vago que faltava para a felicidade e descobrir qual a verdadeira necessidade, ainda que pouco crua, na forma primária do campo das ideias; contentar-se em completude que tamanha seja a satisfação duradoura.

Isso é felicidade.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Sebo

Quanto será que vale um livro com palavras usadas, reorganizadas não-aleatoriamente, com boas histórias, diversas respostas para perguntas incabíveis e descobrimentos óbvios que ninguém verbalizou ainda da maneira que agrada?
Acho que o valor se concentra no quão ainda não verbalizaram (ou diferentemente poetizaram) as verdades inconvenientes e irreverentes de cada sentimento.

Assim, me intrigo na grande e provável resposta "inestimável", pois o ser humano se apóia no que está debaixo de seu nariz e lhe é revelado surpreendentemente em forma de palavras com as quais não parecia ter conhecimento do conteúdo que a nova reorganização quisera significar.

De vez em sempre, copia e recorta de outrém o pensamento inspirado, refletido, trabalhado, e suprime o dizer como seu lema em diante da aparente decisão. Faz movimentos superficiais, direcionados à meta a ser atingida. Adoram, idolatram, respeitam e até cumprem normas socialmente aceitas ou que demonstrem fortitude.


Considero que somos o que escolhemos ter dentro de nós.
O que se mantém perto é reflexo do que construímos.

Acho que é a vida é feita de livros e livros; alguns você compra pra obter conhecimento, outros pra te ajudar a encarar e desmascarar verdades que, no fundo, você já sabe.

Você leria para obter conhecimento sobre os segredos do universo ou versões de supostas verdades manifestadas pela sabedoria alheia?
Escolheria verdades produzidas ou as descobriria por si só?

Isso é o que nos define.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Escaras

As pessoas em geral conversam abertamente sobre suas histórias de cicatrizes físicas. Algumas pessoas fazem questão de ressaltar o defeito na pele antes que alguém repare (como fossem ligar) e estão tão pré dispostas a demonstrar sua insatisfação que dizem "ah isso aqui? Bati na mesa, caí no chão. Foi assim".

Interessante como a posição é invertida e se mantém dessa forma quanto à histórias de cicatrizes invisíveis, de acontecimentos que nos feriram (porque nunca é uma pessoa só. Envolve decepção, quebra de confiança, etc) ao invés de um móvel que podemos desapegar com facilidade ao desfazemo-nos dele, culpando a nós pelo descuido ou ao ser inanimado que meteu-se em nosso caminho.
Claro que penso na ressalva das devidas proporções, como por ex.: um acidente de carro onde você perde sua perna.

A dificuldade de entender gera o trauma. O ferimento físico em maior proporção gera também trauma psicológico.

No caso, o acidente envolve outra pessoa na qual culpar, transferir o descuido, desatenção, entre outros.
Acidentes ou incidentes menores e físicos tendemos a esquecer ou a deixar claro a alguém o motivo da cicatriz antes que perguntado ou espera ansiosamente para aliviar-se e proferir isento de culpa própria, tornando ela ao inanimado ou até, inconscientemente ou conscientemente, sem maiores de longas, a Deus ou ao acaso.

"Acidentes" (ou incidentes) psicológicos - quanto maiores mais propensos - a serem ignorados, barrados, recalcados, subestimados, diluídos, não tanto "espreguiçados", expressados, proferidos, ou conscientizados do tamanho, dimensão, caráter específico e da forma e multilateralidade do mesmo.
A tendência é ocultarmos os defeitos que permeiam a matéria cinzenta, sobre tais declarações particulares, traumáticas, vivenciadas e esbravejadas brutalmente no âmbito de luta, contra o aceito, desejado, idealizado socialmente.

Ninguém quer afirmar ter o ego mal estruturado ou transparecer péssimo por fora por motivo interno que indique fraqueza (e, hoje em dia, qualquer coisa pode ser tido como fraqueza, em diversos pontos de vista deformados.)

No entanto, estar péssimo por fora depois de uma vitória corpo a corpo, parece ser bom, pois aparenta espírito de guerreiro que não desiste, enfrenta seus oponentes e alcança o objetivo merecidamente pelo esforço. Cicatrizes que valem a pena serem lembradas, pois remetem a épocas de bons soldados forjados para serem testados em batalha, aprovados e invictos no campo.
Você faz questão de deixar claro seus defeitos antes que alguém os perceba e forme uma opinião contrária a respeito, adversa a sua, com a finalidade de prepará-lo para o impacto com a "não tão bela" parte que cada um não gosta em si, e se preparar para suportar a verdade que o outro já carrega da vida e carregará de você.

O que estamos querendo dizer a nós mesmos quando compartilhados aflições, mágoas, angústias e dores pessoais, ou ansiosamente esperamos que perguntem sobre para proporcionamo-nos o alívio do ideal de controle da percepção alheia, ou escancaramos os defeitos físicos ou de comportamentos não aceitos ou não desejados, precipitadamente nessas ocasiões?

Qual o limiar fracionário que delimita o saudável do obsessivo em aprovação?
Sendo mais direta... Por quê essa diferenciação entre preocupação com que irão saber do físico e psicológico?


O físico a gente esconde até certo ponto. O psicológico também.
Só a intimidade acaba com a barreira do ideal de perfeição de ambos.

Falar precipitadamente ou estar ansioso para mostrar ou ocultar, significa que há algum mal resolvido, uma razão por detrás a ser revista, questionada, algum dia superada e aceita.

Sem menor dúvida, o invisível é mais poderoso. O mundo da matéria gira entorno e procede do que ocorre no campo que, devidas vezes, se dá menor ou quase nenhuma importância.

Fica para presente reflexão o particular que de vez em quando nos trará à tona a peculiaridade de ser o que construíram e o que reconstruímos da parte que nos é cabida.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Timorata

O medo que move o medo;
Medo de errar. Medo de perder a oportunidade,
estando de olhos trancados, sem atentar ou sem maturidade.

Medo que move outros medos mais internos e intensos.
Medo que deposita confiança no discurso alheio além do que no próprio medo.
Medo que cega, surda e paralisa; Sonhos decapita.
Medo fácil que deixa a alma frágil, propensa a erros, tropeços: disparate de gracejos.

Desassossego pungente. Inquérito questionativo. Prefixo de ideias intrigante.
Um deslise seria suficiente para auto condenação; o que se diz senhor ergue-se e aponta, cobra, manda e desmanda na direção da aflição.

Notei-me avezada às avessas.


De repente, resoluta brisa num instante breve paira na prece atendida e nova história reescreve.
Sólido fora pulverizado como pólvora aos quatro ventos.
Doravante agora dedicado ao concluso deliberado.

Fez-se novidade. A porta aberta da liberdade soltou reféns: esperança, sonho e coragem.
Sorrisos achegaram-se pela constância sábia da direção estratégica. Tornou-se vigente a paz.
Afinal, pra quê prender-se àquilo que te limita? Pra quê acorrentar-se ao que não evolui?


Fui ser feliz.

A pari

Devo a mim mesma explicações para perguntas de respostas suspeitas das quais não quero ter certeza. Porque nunca são apenas cicatrizes isoladas.
O ser envolve-se por inteiro na consequência da causa, exalando e disseminando parte dele corroídas, controversas, caracterizadas, conquistando estrangeiros de terras longíquas e convidando-os a participar do banquete das preocupações cotidianas.

Pergunto-me se existe somente a mim para pensar e repensar tais questões embaraçosas e admitir o conceito de cada uma com suas limitações dentro do contexto das palavras em metáforas e denotações, conferindo-as à aplicação de ser assumido?
Como por exemplo: Que palavras nos definem? Não unicamente, mas a palavra que puxa outra, a exótica, unilateral, que foge do consciente embarreirado pelo Ego.

Mas... quem se dá o trabalho de raciocinar sobre as questões cruciais que embasam os moveres das condições e atitudes, antagônicas ou não, da experiência estética pessoal?
Quando ouço "Sei lá", "Tanto faz" e "Não parei pra pensar nisso" deparo com ignorância alheia e a minha recém descoberta que trará um mecanismo de afastamento perante a pessoa originária da resposta.

Meu Eu sabe que gosto de respostas profundas, relacionadas, pensadas e, se possível, compreendidas na gênese, e que não desperdiço pessoas profundas, que relacionam conteúdo, pensadoras e, se possível, compreendidas de si desde a gênese.

Esse é o encanto: fulgor clarificado do reflexo egoico que buscamos incessantemente nos olhares; narciso buscando o próprio reflexo


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Monólogo

Tinha medo de ficar sozinha com os próprios pensamentos, pois talvez não suprissem a falta e desbancassem a necessidade vigente.
Estava certa... até o dia que tomei consciência do valor que é estar em boa companhia.

Me distraí, me fiz rir.

O que precisava não estava fora e dentro de outras pessoas. Está dentro de mim e esteve sempre comigo, diante dos meus olhos cegos, na minha essência e no potencial.
Daí, soube ratificar minha existência, notei argumentos significativos e motivos com as quais queria lutar contra. Estava prestes a me recompor.

Descobri meu lado engraçado, independente, e sozinho que quer fugir do mundo e sossegar num recanto, muitas vezes solitário, abraçando-me inteira.

Pude observar diversas oportunidades de insistência sendo ignoradas. No fundo, foi bom perceber que não abandonei a inteligência emocional, apenas deixei de lado a perda de tempo à reação pelo instinto primitivo de ignorar o que faz mal.

Aprendi a me suportar e, depois, me amar sem ajudar de um mortal que ensinasse.
Me ignorei. Me entendi e me odiei.
Compreendi, aprendi e por fim amei-me.

Durou anos para entender a necessidade de compreensão, meses para aprender, e uma reflexão para ter o que desejava, não exclusivamente sabendo, mas praticando o ato de liberdade que é estar e se sentir no dever, principalmente no direito natural, de achar-se suficiente em boa companhia: os próprios pensamentos.

Na orquestra do convívio, agora contam-se todos instrumentos necessários sem faltar um se quer;
Eu me basto.


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Teoria das cordas

Os iguais mudaram-se juntos.
Formaram laços sem contratos.

Tão suave quanto uma pena e intenso como furacão,
me abordou, te abordou, estruturou do sonho a fundação.

Por que 'a arte imita a vida' ou 'a vida imita a arte' muitos afirmam ser verdade,
e constato que a primeira oração está correta, pois, analisando da maneira certa,
é fácil ver que esse texto existe por causa de você.

Tal qual as linhas avolumam-se no suceder desse ditado rimado, é exponencial a fórmula da gravidade que me atrai pra sua órbita. Questiono porquê da ligação repentina enquanto outros não instigavam o fenômeno e você prevaleceu numa probabilidade inóspita.

Agravado pelo tempo e disposição ambivalente, fez de mim terra fértil;
brotara semente que outrém não lançara. Era antes, para os demais, inerte.

Diferente dos reflexos opostos e semelhante ao narciso, te olhar é observar de perto o espelho que seduz, traz mudanças, conduz o rumo à natureza: ego e id [solto, porém certeiro, preciso].

Até onde encontrarei o self não me atrevo a dizer, mas penso que é como poço sem fundo: um misto de prazer, surpresas, gracejos e, quem sabe, descobertas de um novo mundo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Neologismos necessários

Palavras: eternas limitantes.
Palavras limitam minhas devoções e eternas gratidões.
Gestos e atitudes são como pequenos presentes.
Olhares, mesmo que singelos, transmitem páginas e suportam o peso.

Nem o mais brilhante poeta conseguiria transpassar no papel tamanha fidelidade do que sabe sobre sentir. Porque tudo tem que ter um nome.
Por que tudo tem que ter um nome?

Como palavras poderiam captar a peculiaridade do 'ao vivo', do real, estar ali presente, de saber o que é e o que não é?
Um silêncio ainda é mais válido do que mil palavras ao vento, mais sincero e perspicaz.

Escolho viver da maneira sábia: no decorrer do momento oportuno em que as palavras, limitadas por natureza, me abandonarem, não falando mais por mim, mas pelo recorte medíocre, deixarei o silêncio transbordar-me e os pilares da existência sentimental fluírem das veias atravessando o olhar.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

One name.

Vontade de te virar do avesso, desnudar o desejo de te encontrar.
Em plena madrugada enquanto todos dormem, sonhamos acordados planos imperfeitos.

Uma música declarada à 7 chaves escondida, provoca ansiedade, parcelas de culpa do sujeito.
Mexe com sentidos, anseios primitivos, pulsões à flor da pele.

Me pego pensando e repensando, fazendo e desfazendo encontros marcados; toma conta a brandura que substitui a ansiedade e o medo repele.

Afagos mais tarde, enrijecem as reminiscências frescas re-sonhadas todos os dias.

Sei que não cabem num bloco de papel, nem algum dia a consideração já inserida, o contexto do prazer, a fala produzida, tenaz vivência pernoitada e acalento do ser, mas tua essência compactuada à minha seria desperdício de tempo não reconhecer.

Tamanho resumo faço ao anunciar aqui sua presença, pois novamente não cabe no breve espaço, nem a falta que faz na tua ausência.


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Porque de tanto porquê de amar


Se amar (não porque você precisa fazer as coisas porque se ama, precisa disso pra casar, ter um bom relacionamento de amizade, se colocando em primeiro lugar, apenas abaixo de Deus, naquele esqueminha que aprendemos de "Primeiro Deus, depois Eu, depois família e amigos, igreja, trabalho etc", sobreviver nesse "mundo cão" - não, isso não é motivo. Aquelas são maneiras de te colocar rapidamente, dentro do ponto de vista natural, e originalmente, mentalmente focado no que deve estar -), sobretudo e, principalmente, porque Deus te fez como Ele quis. Tudo do jeito de Deus é o melhor. Ele não faz - e não dá - coisa feia, ruim ou estragada.

Nós é que distorcemos e fazemos apodrecer, pois até o brilho do Espírito Santo é refletido em nós, nos tornamos mais bonitos, sábios, porque a feição revela de Quem nós somos; bem cuidados e bens cuidados, tesouros, menina dos olhos de Deus.

Não se gostar por motivos dos outros é errado e definha a personalidade e o corpo e coração.

Amar a si é mais do que seguir a linha de raciocínio de "Não, espera, não é assim que se faz. Primeiro vou agir assim e depois vou conquistar aquilo". Com certeza é um exemplo de falsa modéstia consigo mesmo, querendo uma saída rápida para se proteger.

Linha de pensamento não necessariamente conduz a uma verdade ou é construída por elas. Porém, uma verdade consiste em acertar uma linha de pensamento. Não por motivos certos ou errados, porque temos a possibilidade de fazer algo aparentemente "dar certo" por meios errôneos.
Os motivos que levam à verdade, muitas das vezes, também não fazem sentido na linha de pensamento que abrange a lógica.
Não precisa de lógica para que seja verdade. Não precisa ser verdade para que faça alguma lógica.

Contudo, amar a si, porque simplesmente não há motivo para não se amar.

Seguir uma linha de pensamento baseado em atitudes em SE amar a si mesmo e, daí, se sentir melhor, aderindo comportamentos, restringe a mente a concluir algo concreto em que ainda não foi transformado.
A mudança ocorre de dentro para fora. (Digo, a transformação.)

Afinal, a linha de pensamento precisa ser correta para que, daí, transpareça naturalmente nas atitudes.

E, quantos motivos arranjamos para amar alguém?
Se Deus deu como mandamento "Amai-vos uns aos outros" (falando de atitude, pois amor é atitude) e "Ame a ti mesmo como ame seu próximo" (também atitude), isso não é um motivo?
Bom, não.
Partindo, também, de que é algo que deveria acontecer naturalmente (e não damos continuidade por diversas razões), apesar dos pesares, e que é justamente para não focarmos no que diz o contrário, porque isso seria um motivo, mas não algo simplesmente natural de acontecer?

Ora, sem amor o ser humano definha. Sem demonstração de carinho, sem afeto, toque; algo que simbolize carinho e cuidado.
Além de todos os motivos que sabemos no senso comum, sabemos também no científico: bebês macacos amamentados se tornam mais fortes, enquanto, e em comparação, com os macaquinhos que não tiveram qualquer interação com a mãe.

Óbvio que não somos macacos e nem viemos de um ancestral em comum com eles, como dizia Darwin. Contudo, é um dos animais que mais o ser humano se assemelha. E se essa proximidade é tão grande em comparação com a demonstração de afeto humana, seja na amamentação, no cuidado da cria, na organização da família, etc.

Concluindo assim, não se sentir amado por si, ainda que outras pessoas te amem (sentimento) - que muitas vezes vale mais do que apenas não se amar -, é algo que vai contra o natural.
Baseando que o amor é feito de atitudes e, para se ter uma atitude é preciso antes um pensamento, seja de ideia, de continuidade (o natural), ou uma não inserção de pensamento que leve ao sentido oposto desse natural; algo que não quebre o ser natural, uma linha que seguimos para tecermos a teia do sentido e lógica em nossas mentes, como praticar o que não se tem apreendido dentro de si? E como amar a nós mesmos - e amar aos outros - se não há continuidade na prática no cotidiano?

Acontece que estamos tão acostumados a criar uma linha de raciocínio para explicarmos o que é natural - ou até outras coisas que julgamos ser -, que criamos linhas tortas com explicações próprias para justificar o porquê de Ser e o Não Ser.

A realidade é a verdade, e não suas versões categorizadas e bem organizadas, sedimentadas no caráter dos acontecimentos de percepções singulares.

Deturpado, o amor continua sendo ridicularizado e banalizado.
Amor é língua universal, não nasce pra poucos, mas para todos.