sexta-feira, 19 de abril de 2013

Essentia

Uma ínfima poeira flutua e percorre sua rota em direção à janela, rasgando suavemente o fluxo de ar.
De tão insignificantemente improvável que é o fato de rasgar o céu, subestima-se o potencial porque a vemos incapaz e pequena.


Nos grandes frascos há diluição, impureza e escassez. O líquido dissolve no ar quando exposto a outrem. É forte, porém camuflado.

Nos pequenos frascos há variedade de elementos que compõe o perfume tão singular. Há essência própria, não diluída outrora, mas subtraída destes males. Somente ela se faz necessária. Como concentrada em si, não se acha valor maior.
Contagia. Impregna. Traz pra si olhares e faros que distinguem um bom perfume. Inebria. Impacta. Diferencia dos demais.

Mel ou fel, amargura ou amor, docilidade ou dor, bom ou mal; atitudes provenientes do ser, definem e rotulam quem realmente somos pela intencionalidade, pois essa é essência.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Thank you

O acaso não permite porque o caso não existe.
Agradecimentos imersos, devotos da materialização do sonho, percorrem lábios que não proferem a quem, mas ao nada.
Indeferido, é como o vento que passa, se sente; não invade.
Leva-se, no pior, o orgulho. No melhor, uma pura intenção em que o autor fora esquecido.

Aos que prosseguirem pela indiferença ao Nome, deixará de ganhar outro nome.
E os que aderiram uma palavra de crédito ao remetente correto, lhes será concedida a oportunidade das oportunidades.
Aceita se quiser. Crê se convém ao saber.

A conveniência, mais uma vez, mostra sua arma contra o invisível.
Usá-la requer entendimento e sabedoria.
Escudo ou espada, é uma defesa pronta que os olhos hão de filmar.
Se produz aos montes e com barreiras, apois, quem tentará lutar contra si diante da enxurrada de senso comum?
Guerreiros estão escondidos por baixa da camada casca social.

Descubra-os e descubra-os.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Móvel

Abrir caixas é desenterrar passados; arquivos mortos.
Abrir a janela é aceitar a chuva de críticas.

A quantidade de gavetas que não queremos abrir é congruente com a de janelas que não serão abertas?
O espaço é contabilizado de medo, receio, perda, dano e do que pode entrar para preencher o espaço antes desperdiçado.

O que guardamos são nossos maiores temores.
Dívidas com nosso próprio Eu por não solucionar pendências.

Os dias correm. As caixas que eram miúdas transformaram-se gavetas que trancamos a chave.
Me refiro a segredos tão bem protegidos que preferimos não tocá-los, aprisionando o Eu.

A proporção do medo condiz com o tamanho do cofre;
De armário de madeira para metal, o que se vê é a camuflagem.

O espaço da felicidade se encolhe, vai compactando para o ajuste do cômodo.
Preciso de mudanças! - exclama o dono do imóvel.

Este arruma o quarto. Renova o ambiente. Deixa o ar entrar pela janela.
Afasta as cortinas. A chuva bate e molha o carpete; Continua trazendo o frescor de aroma do campo. O lar está arejado. O coração está limpo de mágoas e rancor.

Plantou-se o amor.