sexta-feira, 11 de junho de 2010

Aurora

"O tempo é fluido", disse ele enquanto sorria e me beijava a testa.
Seguidas vezes repetiu tal frase, que aos poucos penetrara em minha mente.
E assim, como no início de um conto de Neil Gaiman, me interessei.

Os olhares eram poucos, singelos.
Mas, para mim, tudo era muito e nada discreto.
Palavras nunca ditas, nunca sentidas tornaram-se singulares.
As emoções, enfim, faziam pares.

Dias se passaram e ele se contradisse. A definição de "tempo" naquele momento era apenas a distância entre a causa e o efeito que ficara consigo.
Percebi quando era tarde demais. E foi no exato instante:
"Você gosta de margaridas?", questionou. - Respondi que sim, mas preferia violetas. Ele sabia. - "Comprarei. Mas será surpresa."

No entanto, menti. Não importava se era margarida, violeta ou alguma outra pétala colorida.
Todas seriam especiais e únicas desde que, mesmo sem ocasião, fossem dele para mim.



quinta-feira, 3 de junho de 2010

...a Mulher que era menina

Um dia, uma hora e ínfimos segundos contados no relógio.
O 'tic tac' pausa por alguns instantes e a razão invade seu domínio.
"Serás tu?", indaga fortemente.

Ela, então, dá início a um drama.
Os argumentos que antes eram convincentes hoje não são mais justificáveis.
As cartas, as promessas e os sinais eram ludibriosos. Suspeitou.

Por dentro tudo transbordara. Amor, paixão, esperança e devoção.
E quase como em um sonho tudo se acabara, aparentemente, sem nenhuma explicação.

Todos os seus planos foram desfeitos, sua alegria diminuída...
Até mesmo aquela aparência tão doce e calma que lhe fora atribuída.

...E no momento preciso, ela, que tanto o esperava, cedeu.
Ele, que aguardara o último reencontro, angustiou-se. Ela não apareceu.
Não sabia porquê. Não sabia quando a veria novamente.

Seu coração dilacerou-se em mil pedaços, acabado.
Mas o anel que levara consigo permanecera intacto, com a data de dezembro de 1945, o nome dela e uma mensagem: "Forever".